Maurício de Macedo
Porque o passado
é um salvo-conduto.
Porque o passado
lhe permite tudo
até mesmo aquilo
contra o qual lutou
no passado.
1/31/2012
Herói
1/25/2012
Elis Regina
Maurício de Macedo
Depois de morta,
sua voz cresce,
sua palavra cresce,
sua canção cresce.
Depois de morta,
ergue-se a cidade
- Elis -
onde a melodia
se perpetua.
No céu da cidade
brilha uma estrela
- aquela
que depois de morta
se fez rainha,
Regina.
Depois de morta,
sua voz cresce,
sua palavra cresce,
sua canção cresce.
Depois de morta,
ergue-se a cidade
- Elis -
onde a melodia
se perpetua.
No céu da cidade
brilha uma estrela
- aquela
que depois de morta
se fez rainha,
Regina.
2/09/2010
Blog do Marcelo Coelho critica Maurício
O Blog do Marcelo Coelho (http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/), na Folha do dia 06/02/2010, publicou a seguinte crítica:
Álbum de família
Maurício de Macedo já publicou dezoito livros de poesia, diz a orelha de Palavras Tortas (ed. 7 Letras), o primeiro dele que leio. Vejo qualidades em seus versos –especialmente o dom para a metáfora surpreendente e súbita. Bem no começo do livro, por exemplo, o autor, preso ao dia a dia de Maceió, fala a respeito da própria poesia:
Ainda que ela não alce voos cosmopolitas
e se debata no círculo doméstico
dos pequenos dramas do cotidiano,
a gente faz.
A gente precisa e a gente faz
feito um imigrante ilegal
atravessando a fronteira.
A imagem dos dois últimos versos (não ficaria melhor se fosse um verso só?), com sua marca de atualidade e sua concretude, absolve o tom de quase clichê que se pode notar em “pequenos dramas do cotidiano” e “se debata no círculo doméstico”.
Uma boa limpeza dos clichês, além de mais desapego à influência de Drummond, ajudaria a revelar o poeta que Maurício de Macedo certamente é. Vemos Drummond demais, e um bocado diluído, num poema como este:
Não faça a poesia
que glorifique o santo
ou o herói.
(É predadora a espécie.)
Não faça a poesia
que veja o homem de longe
na abstração coletiva,
eufórica,
dos amigos do povo.
As palavras são velhas e sábias.
Não lhes ofereça falsos brilhantes.
Faça poesia, simplesmente.
É tudo o que elas pedem.
E a quantidade de lugares-comuns é considerável:
Escreve-se o poema
como quem escreve uma carta
e coloca a carta numa garrafa
e atira a garrafa ao mar.
Sem contar os clichês (“gelar de pavor”, “cortina de silêncio”, “o tempo urge”) e as palavras-clichê (“périplo”, ”lembranças que povoam meu silêncio”, “o poder”).
Esse “o poder” (no sentido de “O Poder”, “os Poderosos”) aparece num poema que, apesar do termo, diz uma coisa raramente ouvida atualmente:
O poder namora o hip-hop
e o cordel
como o agenciador de prostitutas
seduzindo meninas pobres
da periferia e do interior.
De fato, tornou-se normalíssimo hoje em dia criticar o populismo (estético e político), mas ninguém se questiona muito a respeito do favorecimento paternalista que se dedica à “literatura marginal”, ou da periferia...
Eis outro poema que trata de tema atual, e pouco explorado em verso:
Você sabe por que eu só gosto
de quem não gosta de mim.
Você sabe por que só procuro
rapazes que me molestam
e que me deixam sozinha
depois.
Você sabe por que minto
com a maior cara-lisa.
Você sabe por que tomo
tanto remédio para dormir.
Você sabe por que fico
tão aflita, às vezes,
piscando os olhos,
gaguejando,
querendo mudar de assunto,
você sabe por que, meu pai,
você sabe por que.
Verdade que o título (“Molestada”) abre demais o jogo do poema. Termino com este preciso e verdadeiro “Álbum de família”:
Nenhum abraço,
nenhum sorriso
--braços arriados,
olhares perdidos.
Quem vestiu
com a camisa-de-força da tristeza
aqueles corpos?
Quem colocou naqueles olhos
a luz de uma ausência infinita?
Quem fez descer cortinas de silêncio
entre as solidões perfiladas?
(...)
Quem cortou as mãos,
as línguas,
quem cegou aqueles seres
e os fincou num abandono mudo,
à margem do tempo,
como se fossem espantalhos?
Álbum de família
Maurício de Macedo já publicou dezoito livros de poesia, diz a orelha de Palavras Tortas (ed. 7 Letras), o primeiro dele que leio. Vejo qualidades em seus versos –especialmente o dom para a metáfora surpreendente e súbita. Bem no começo do livro, por exemplo, o autor, preso ao dia a dia de Maceió, fala a respeito da própria poesia:
Ainda que ela não alce voos cosmopolitas
e se debata no círculo doméstico
dos pequenos dramas do cotidiano,
a gente faz.
A gente precisa e a gente faz
feito um imigrante ilegal
atravessando a fronteira.
A imagem dos dois últimos versos (não ficaria melhor se fosse um verso só?), com sua marca de atualidade e sua concretude, absolve o tom de quase clichê que se pode notar em “pequenos dramas do cotidiano” e “se debata no círculo doméstico”.
Uma boa limpeza dos clichês, além de mais desapego à influência de Drummond, ajudaria a revelar o poeta que Maurício de Macedo certamente é. Vemos Drummond demais, e um bocado diluído, num poema como este:
Não faça a poesia
que glorifique o santo
ou o herói.
(É predadora a espécie.)
Não faça a poesia
que veja o homem de longe
na abstração coletiva,
eufórica,
dos amigos do povo.
As palavras são velhas e sábias.
Não lhes ofereça falsos brilhantes.
Faça poesia, simplesmente.
É tudo o que elas pedem.
E a quantidade de lugares-comuns é considerável:
Escreve-se o poema
como quem escreve uma carta
e coloca a carta numa garrafa
e atira a garrafa ao mar.
Sem contar os clichês (“gelar de pavor”, “cortina de silêncio”, “o tempo urge”) e as palavras-clichê (“périplo”, ”lembranças que povoam meu silêncio”, “o poder”).
Esse “o poder” (no sentido de “O Poder”, “os Poderosos”) aparece num poema que, apesar do termo, diz uma coisa raramente ouvida atualmente:
O poder namora o hip-hop
e o cordel
como o agenciador de prostitutas
seduzindo meninas pobres
da periferia e do interior.
De fato, tornou-se normalíssimo hoje em dia criticar o populismo (estético e político), mas ninguém se questiona muito a respeito do favorecimento paternalista que se dedica à “literatura marginal”, ou da periferia...
Eis outro poema que trata de tema atual, e pouco explorado em verso:
Você sabe por que eu só gosto
de quem não gosta de mim.
Você sabe por que só procuro
rapazes que me molestam
e que me deixam sozinha
depois.
Você sabe por que minto
com a maior cara-lisa.
Você sabe por que tomo
tanto remédio para dormir.
Você sabe por que fico
tão aflita, às vezes,
piscando os olhos,
gaguejando,
querendo mudar de assunto,
você sabe por que, meu pai,
você sabe por que.
Verdade que o título (“Molestada”) abre demais o jogo do poema. Termino com este preciso e verdadeiro “Álbum de família”:
Nenhum abraço,
nenhum sorriso
--braços arriados,
olhares perdidos.
Quem vestiu
com a camisa-de-força da tristeza
aqueles corpos?
Quem colocou naqueles olhos
a luz de uma ausência infinita?
Quem fez descer cortinas de silêncio
entre as solidões perfiladas?
(...)
Quem cortou as mãos,
as línguas,
quem cegou aqueles seres
e os fincou num abandono mudo,
à margem do tempo,
como se fossem espantalhos?
7/10/2009
Palavras Tortas

Esse é o título do mais novo livro de Maurício de Macedo. O convite para o lançamento está aqui ao lado. Leia a poesia que deu título ao livro:
PALAVRAS TORTAS
O fogo de monturo dos dramas domésticos,
a amargura de uma cidade provinciana,
o ar rarefeito de uma repartição pública
e a pequena poesia que se recolhe
de um mundo tão acanhado,
a pequena poesia que mal expressa
o que se contordce no vácuo
e num enredo de nós cegos.
Não deve ser filosofia,
nem sabedoria, ao menos,
mas é com essas palavras tortas
que a gente caminha
como quem se apoia em muletas.
4/19/2009
Recado para o Frank
Frank deixou um comentário querendo adquirir o livro "A Água e a pedra". Não tenho o seu e-mail mas, se possível, entre contato com edbertoticianeli@globo.com que tenho uma boa informação para você.
3/01/2009
Apresentação
AS DESVENTURAS DA NEGRA FULÔ
Arriete Vilela (*)
Mauricio Macedo é um leitor atento, disciplinado - e compulsivo. Tem dois livros editados - Cinzel da Língua e Sínteses de Sombra - e mais quatro prontos, à espera de publicação.
Este - As aventuras da Negra Fulô - é um texto divertido, aparentemente leve e descompromissado, e bom para uma leitura oral ou dramatizada. À primeira vista, parece uma brincadeira cômica, pois o autor "brinca" com a Negra Fulô, famosa personagem fictícia do poeta alagoano Jorge de Lima, e com algumas personalidades reconhecidamente do domínio público.
Excetuando o Conselheiro Silva ("Mas todo o heroísmo não bastou! para vencer a sanha do agressor/ [...] Tragado por uma bomba,/ morreu Conselheiro"), Joaquim José ("Deputado das Minas Gerais/ representava a oposição/ e falava com voz mansa/ sobre trabalho, progresso e paz"), a Dra. Nise e o Dr. Artur ("que não receitavam drogas nem choque/ - condutas de horror -/ mas distribuíam tinta e pincel/ para os doidos") e Nossa Senhora ("Vai, Fulô, volta para o poema! Reza dez ave-marias e dez pai-nossos/ como penitência"), os demais personagens são tomados risíveis, burlescos, caricatos, pois à história real de cada um deles é acrescido um fato que lhes relativiza o caráter heróico conhecido oficialmente.
O texto, portanto, aparentemente cômico - ou justo por isso -, é crítico, irônico, pertinente: traz à tona, revisitadas e atualizadas, questões muito sérias que compõem a história da sociedade, como a cegueira do fanatismo religioso ("Todos queriam ver/ o choro e o riso da 'santa' na procissão"); o descaso e a conseqüente marginalização do autêntico folclore ("decidiram fundar no sertão/ uma cidade sagrada/ do folclore marginalizado"); a brutal violência contra travestis e prostitutas ("Vez por outra aparecia,/ jogado num matagal,/ com requintes de violência mais bruta,/ o corpo de um travesti/ ou de uma prostituta"); o abuso de poder, seja por desmandos de governos incompetentes e ditadores ("De um rebenque de cabo de prata/ não largava o interventor [...] E Maceió vivia a ordem/ sob a égide do rebenque do Pacificador/ não fossem alguns eventos estranhos/ que já causavam horror"), seja por questões injustas e pessoais ("[...] provocou na Primeira Dama! um ciúme muito grande./ E a Primeira Dama convocou/ o Secretário de Segurança para dar cabo de Fulô. [...] Furioso, o Secretário deu um tiro/ no peito da Negra Fulô.“), e o desvio de verbas para campanhas políticas, atividade paralela ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro ("Era um apartamento muito grande/ o de seu Paulo Calabar [...] Financiara até campanha/ de deputado federal [...] Por vezes vinham alguns homens/ entregar a seu Calabar/ uns pacotes bem fechados [...] E vinham depois outros homens/ apanhar os pacotes/ que guardara seu Calabar").
A sensualidade da Negra Fulô é um elemento reiteradamente ressaltado em todos os poemas e suas façanhas atestam o exercício da sedução mística, sendo, no entanto, devastadoras as conseqüências do seu don juanismo: suas aventuras amorosas finalizam sempre em trágicas desventuras (Passional, A conexão, O seqüestro, A lira, Diana). Como Don Juan, que dispunha de um cavalo veloz com o qual fugia e partia par a próxima conquista, a Negra Fulô, de Maurício Macedo, igualmente parte (ou foge) em "situações-limite" e se aninha no poema protetor de Jorge de Lima, até, naturalmente, a próxima aventura - ou, se preferirmos, até a próxima desventura.
Aliás, o próprio Jorge de Lima não escapa à sedução da Negra Fulô ("Fulô e o Dr. Jorge passaram a namorar,/ em lugares recatados/ na lagoa ou à beira-mar/ com direito a final de noite/ num quarto de motel ou na praia sob o luar.”). Um tórrido, embora efêmero, caso de amor que, segundo Maurício Macedo, antecede a criação do poema: ("Adeus, Jorge,/ que já parto para esquecer minha dor./ Quem sabe um dia eu veja/ os versos do seu amor?!").
O último poema - uma metáfora da própria vida - registra a única redenção possível: a poesia, através da qual os "seres não adaptados/ aos reclamos da modernidade" poderão salvar-se e reinventar o mundo.
O livro de Maurício Macedo presta-se a interpretações várias e muito mais detalhadas. Com a palavra, pois, os estudiosos da crítica literária.
Arriete Vilela (*)
Mauricio Macedo é um leitor atento, disciplinado - e compulsivo. Tem dois livros editados - Cinzel da Língua e Sínteses de Sombra - e mais quatro prontos, à espera de publicação.
Este - As aventuras da Negra Fulô - é um texto divertido, aparentemente leve e descompromissado, e bom para uma leitura oral ou dramatizada. À primeira vista, parece uma brincadeira cômica, pois o autor "brinca" com a Negra Fulô, famosa personagem fictícia do poeta alagoano Jorge de Lima, e com algumas personalidades reconhecidamente do domínio público.
Excetuando o Conselheiro Silva ("Mas todo o heroísmo não bastou! para vencer a sanha do agressor/ [...] Tragado por uma bomba,/ morreu Conselheiro"), Joaquim José ("Deputado das Minas Gerais/ representava a oposição/ e falava com voz mansa/ sobre trabalho, progresso e paz"), a Dra. Nise e o Dr. Artur ("que não receitavam drogas nem choque/ - condutas de horror -/ mas distribuíam tinta e pincel/ para os doidos") e Nossa Senhora ("Vai, Fulô, volta para o poema! Reza dez ave-marias e dez pai-nossos/ como penitência"), os demais personagens são tomados risíveis, burlescos, caricatos, pois à história real de cada um deles é acrescido um fato que lhes relativiza o caráter heróico conhecido oficialmente.
O texto, portanto, aparentemente cômico - ou justo por isso -, é crítico, irônico, pertinente: traz à tona, revisitadas e atualizadas, questões muito sérias que compõem a história da sociedade, como a cegueira do fanatismo religioso ("Todos queriam ver/ o choro e o riso da 'santa' na procissão"); o descaso e a conseqüente marginalização do autêntico folclore ("decidiram fundar no sertão/ uma cidade sagrada/ do folclore marginalizado"); a brutal violência contra travestis e prostitutas ("Vez por outra aparecia,/ jogado num matagal,/ com requintes de violência mais bruta,/ o corpo de um travesti/ ou de uma prostituta"); o abuso de poder, seja por desmandos de governos incompetentes e ditadores ("De um rebenque de cabo de prata/ não largava o interventor [...] E Maceió vivia a ordem/ sob a égide do rebenque do Pacificador/ não fossem alguns eventos estranhos/ que já causavam horror"), seja por questões injustas e pessoais ("[...] provocou na Primeira Dama! um ciúme muito grande./ E a Primeira Dama convocou/ o Secretário de Segurança para dar cabo de Fulô. [...] Furioso, o Secretário deu um tiro/ no peito da Negra Fulô.“), e o desvio de verbas para campanhas políticas, atividade paralela ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro ("Era um apartamento muito grande/ o de seu Paulo Calabar [...] Financiara até campanha/ de deputado federal [...] Por vezes vinham alguns homens/ entregar a seu Calabar/ uns pacotes bem fechados [...] E vinham depois outros homens/ apanhar os pacotes/ que guardara seu Calabar").
A sensualidade da Negra Fulô é um elemento reiteradamente ressaltado em todos os poemas e suas façanhas atestam o exercício da sedução mística, sendo, no entanto, devastadoras as conseqüências do seu don juanismo: suas aventuras amorosas finalizam sempre em trágicas desventuras (Passional, A conexão, O seqüestro, A lira, Diana). Como Don Juan, que dispunha de um cavalo veloz com o qual fugia e partia par a próxima conquista, a Negra Fulô, de Maurício Macedo, igualmente parte (ou foge) em "situações-limite" e se aninha no poema protetor de Jorge de Lima, até, naturalmente, a próxima aventura - ou, se preferirmos, até a próxima desventura.
Aliás, o próprio Jorge de Lima não escapa à sedução da Negra Fulô ("Fulô e o Dr. Jorge passaram a namorar,/ em lugares recatados/ na lagoa ou à beira-mar/ com direito a final de noite/ num quarto de motel ou na praia sob o luar.”). Um tórrido, embora efêmero, caso de amor que, segundo Maurício Macedo, antecede a criação do poema: ("Adeus, Jorge,/ que já parto para esquecer minha dor./ Quem sabe um dia eu veja/ os versos do seu amor?!").
O último poema - uma metáfora da própria vida - registra a única redenção possível: a poesia, através da qual os "seres não adaptados/ aos reclamos da modernidade" poderão salvar-se e reinventar o mundo.
O livro de Maurício Macedo presta-se a interpretações várias e muito mais detalhadas. Com a palavra, pois, os estudiosos da crítica literária.
* Arriete Vilela é escritora
As Aventuras da Negra Fulô
Engana-se quem pensa
que a Negra Fulô se contenta
em viver no poema tão belo
que Jorge de Lima criou.
A negra foge do poema, conhece novos personagens, ama, brinca, dança, luta,
morre, ressuscita...
Vive grandes emoções,
enfrenta grandes perigos...
E em situações-limite
retoma sempre ao porto seguro
- o monte das musas,
onde o tempo se traduz
em beleza e eternidade.
Acompanhemos, então,
a negra em suas aventuras que a Poesia tem razões que a História desconhece.
que a Negra Fulô se contenta
em viver no poema tão belo
que Jorge de Lima criou.
A negra foge do poema, conhece novos personagens, ama, brinca, dança, luta,
morre, ressuscita...
Vive grandes emoções,
enfrenta grandes perigos...
E em situações-limite
retoma sempre ao porto seguro
- o monte das musas,
onde o tempo se traduz
em beleza e eternidade.
Acompanhemos, então,
a negra em suas aventuras que a Poesia tem razões que a História desconhece.
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